sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quem era Maria Severa?

MARIA SEVERA, nasceu em Lisboa, aos Anjos, numa barraca nos montes.

Seu pai, Severo Manuel de Sousa, era de etnia cigana e a mãe, Ana Gertrudes, uma portuguesa de Ovar que, com outros pescadores da região, tinha emigrado para Lisboa.
À sua ascendência cigana atribui-se a sua beleza exótica e o seu cantar expressivo, que conquistou os boémios da capital.
A sua mãe (Ana Gertrudes), era uma célebre prostituta da Mouraria, conhecida pelo sobrenome de “Barbuda” e a própria MARIA SEVERA terá ingressado muito cedo na mesma profissão, tendo-se distinguido rapidamente nesse meio, não só pela sua beleza trigueira, como ainda pelos seus dotes invulgares de “cantadeira de Fado”.
Viveu em vários bairros de Lisboa: Graça, Bairro Alto, Mouraria e foi neste último que acabou por morrer.
Conta-se que MARIA SEVERA percorria os bairros populares de Lisboa e que a sua voz animou as noites de muitas tertúlias bairristas, tornando assim famosas, pela sua presença, as tabernas que frequentava.
A SEVERA cantava e batia o Fado na taberna da “Rosária dos óculos”, situada ao cimo da Rua do Capelão, na chamada “casa de pedra”.
A sua juventude, cheia de beleza, despertou paixões e ocasionou desvarios, fez perder a serenidade e a compostura de fidalgos, de burgueses, de artistas e de políticos.
Alguns escritos da época dizem que MARIA SEVERA era linda, era alta um pouco delgada, cabelos muito pretos, lábios muito vermelhos e nos olhos uma expressão indescritível.
Diz-se que terão sido os seus olhos que atraíram o Conde de Vimioso, aliado ao seu doce canto e à paixão deste pelo som da guitarra.

O Conde era um homem garboso e de boa figura. Foi o primeiro cavaleiro tauromáquico da sua época, facto que não foi indiferente a MARIA SEVERA, pois ela revelava um enorme entusiasmo pelas corridas de touros e sobretudo pelo toureio equestre. Ora foi esse entusiasmo de MARIA SEVERA por esta arte, que originou, não só a sua aproximação ao Conde de Vimioso, mas também que ela tantas vezes o tivesse cantado em letras de Fados.
Havia, na verdade, um grande contraste entre a condição social destes amores (MARIA SEVERA/CONDE DE VIMIOSO) e isso deu lugar a muitos boatos, mas também e sobretudo, a muitos Fados.
MARIA SEVERA teve a intuição de que após a sua morte ainda havia de andar muito nas bocas do mundo, como resulta destas sextilhas de sua autoria:

Quando a morte me levar
Não há decerto faltar
Quem diga mal da Severa!
Pois neste mundo falaz
De tudo se é capaz
E só o mal se tolera...

Lá na fria sepultura,
Nessa cova tão escura
Irei enfim descansar?
Pressinto que em expiação
E novamente ao baldão
Aqui terei de voltar...


Leviano e mulherengo, o Conde de Vimioso acaba por deixar a Severa e apaixona-se por uma cigana, facto que a deixa desvairada, mas, dado já se manifestarem sintomas da doença que a haveria de matar (tuberculose), MARIA SEVERA já não teve forças nem vivacidade para lutar pelo seu amor.


MARIA SEVERA morre pobre e abandonada, num miserável bordel da Rua do Capelão, a 30 de Novembro de 1846.
 

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